SEJA SANTA A VACA QUE TE ALIMENTA

17 de maio de 2012 in Poesias,Artigos,Contos,

Mamãe vaca, santa de todos os dias, livra da desnutrição. Deus não da leite, nem cozinha, nem lava fraldas, nem da dinheiro. O garimpo da dinheiro e da a morte, a degola, a inveja, o soterramento. Deus e o Demônio estão escondidos, um a revelar o amor que estropola e pode chegar aos limites com  o ódio, o outro a demonstrar o rancor que se transforma em compaixão e arrefecimento, que acolhe a todos sem rejeitar ninguém: o demônio acolhe a  todos, indiscriminadamente. O piedoso e o solidário se encontram em qualquer esquina e numa competição deixam-se ganhar e perder almas a todos os instantes. Deus da o terremoto, o raio, o furacão,  o vulcão e o medo da morte. O Demônio não da nada, apenas o temor que pode  evitar a cair no próximo despenhadeiro. A prostituta não da dinheiro: tira-o. Da apenas prazer num sexo transitório. Dá também gonorreia e sífilis. Ela deu prazer, mas será descartada na próxima esquina, trocada por outra prostituta mais jovem, mas formosa, mas carinhosa. Deus não te arranjará outra, ele odeia as prostitutas. No próximo lupanar o Demônio te socrorre. Ele se esconde num copo de cachaça ou na cocaina, nos assédio de uma prostituta faceira, morena jovem de seios grandes. Vais esquecer os pecados por um instante e Deus  que discrimina os pecadores te excluirá do meio dos “bons”. O Demônio te acolherá solícito, sem qualquer preconceito, sem exigir conhecimento de tua vida pregressa. Deus te privará de tudo: das pepitas, das prostituas, da mamãe vaca… Te apresentará um livro grosso e um saco onde deverá depositar um décimo das pepitas que venha catar.

JOEL DE SÁ

 

Joel de Sá

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TUA VONTADE SAGRADA

14 de maio de 2012 in Poesias,Artigos,Contos,

Ao buscar o azul anil onde pretende fazer morada eterna, a visão se equivoca e não te permite adejar.

Tenta fugir da noite pelo medo que o mesmo céu anil, ao se camuflar num veu negro de pavor e fantasmas, torna-se indesejado e volta ser almejado ao despontar do novo sol.

A tua esposa que teu amigo desejou não faz mais parte dos impulsos sexuais de ninguém. Os seios flácidos, ancas lassas só servem para ti. Tu, criatura humana, mórbida e flébil para cair na realidade precisa encher as narinas de pó, entupir os miolos de cocaina, busacando a ilusória realidade da loucura celeste.

Ejacula pecados e dissemina diabinhos para povoar a Terra aos bilhões. Seduz homens maltrapilhos, engravatados escravos do capital, com um rubi escondido sob pentelhos dourados.

Moureja exaustivamente para ser santo e no fim da vida cai em desgraça porque sabe que vai findar sem poder levar nada, sequer a auréola que tanto almejou.

Adulterar, transgredir as leis do matrimônio, a esposa o fazia aos berros,  a rua inteira ouvia. Comovidos, os vizinhos corriam em socorro. Ela queria apenas liberdade para gritar de satisfação, alucinada pelos prazeres da vida.

JOEL DE SÁ

 

Joel de Sá

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A que mais me encantou

13 de maio de 2012 in becodospoetas, mapadapoesia, Poesias, Poesias,Artigos,Contos,


Não foi a primeira.

e talvez não seja a última.

Mas com certeza,

foi a que mais encantou

os meus sentidos.


warmien

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CONTEMPLAÇÃO

11 de maio de 2012 in Poesias,Artigos,Contos,

 

Suntuoso mosteiro, no topo da montanha, galgando tantos degraus para acessar a alma.

Sagrada quanto a veste do monge/Na célula carmelita, atrás das treliças franciscanas/ dentro dos homens. A abstração a poeira que emerge dos vales, obstruindo as serras, apagando o cinza do mar.

Dois santos trocam olhares apaixonados, dois operários a transpirar/ a lida na forja, o gosto do mel escorrendo pelos pés descalços.

O vento não trás qualquer mensagem/ Deus não fala ao telefone, não da dicas de onde encontrá-lo.

Os santos são assassinados e vão para a vala comum/ seus ossos vão virar relíquia e cinza/ vão alimentar a fé e a desgraça dos fiéis.

O homem de semblante tácito dedilha as contas do rosário/ as décadas, os séculos, rotativos, destituídos de ampulheta e de folhinha, uma roda viva/Deus o desaponta -Vai apescar teu peixe miudo, o da rede é para Manaus: o do puçá é pra tua fome, miserável! Duas traineiras surgirão/ passarão ao largo das barrancas. Santo não é para a luxúria, por isso os pés nu pisarão os espinhos, os seixos.

Luxo é excesso, luxúria é pecado, pecado é para os miseráveis. deus fez milagre de peixe miúdo… O pirarucu não é de deus: é das traineiras que levam o peixe graúdo para Manaus. Vai aí a contemplar/ os olhos ficaram nas águas turvas e descerão junto ao peixe graúdo em direção a Manaus.

 

JOEL DE SÁ

Joel de Sá

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A pensar nos seus desejos

10 de maio de 2012 in becodospoetas, mapadapoesia, Poesias, Poesias,Artigos,Contos,

Entrego-me a pensar

nos seus desejos

que quero satisfazer.

Nos seus sonhos

entre quadro paredes

que vou querer realizar.

Beijar a sua boca,

sentir seu corpo quente,

tremendo de prazer,

seus gemidos lassos,

e depois lentamente,

invadir seu templo,

sentindo o arrepio

de sua pele morna,

o convite lânguido

da boca entreaberta,

para finalmente
ao seu lado repousar,

extasiado com o prazer

que seu corpo pode dar.

warmien

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A paz que eu procuro

8 de maio de 2012 in becodospoetas, mapadapoesia, Poesias, Poesias,Artigos,Contos,

No lugar da cor azul

De um céu sereno

O outono trouxe o cinza

E tons tristonhos

De saudade

Mensageira

De futuras agonias.

Quem me dera

Que o outono trouxesse

somente os tons

de ouro e prata!

Quem me dera

Encontrar a paz

para minha alma,

tamborilando

na palma da sua mão

Onde mais

eu poderia encontrar

A paz que eu procuro

E espero em seu olhar?

warmien

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A luz vai triunfar

7 de maio de 2012 in becodospoetas, mapadapoesia, Poesias, Poesias,Artigos,Contos,

A luz vai triunfar

a paz vai imperar

depois do temporal.

A saudade não pode ficar,

sei que agora

estamos juntos eu e ela

mas é por que

não tenho outra escolha.

warmien

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Epitáfio

3 de maio de 2012 in becodospoetas, mapadapoesia, Poesias, Poesias,Artigos,Contos,

Enquanto você,

permanecia tranquila

continuando a viver

alegremente a sua vida,

a sua ausência,

lâmina aguçada,

atingiu de morte

o meu peito.

Selou a minha sorte !

Mas, se era para viver,

chorando a ausência sua,

melhor assim,

atingido de morte

aqui quedar deitado,

jazer para sempre,

o meu corpo chorando

à espera da podridão

warmien

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Rotina

2 de maio de 2012 in becodospoetas, mapadapoesia, Poesias, Poesias,Artigos,Contos,

Dormir. Despertar.

Quantas vezes os olhos

abrir e fechar,

num exaustivo jogo

de verdades e falsidades,

para misturar-se o sonho

a uma triste realidade:

você se foi e me deixou

somente uma saudade!

warmien

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